O AUTOR É UM OUTRO: O EU E O SUJEITO DIVIDIDO NO CASO SIGNORELLI

  • Clarice Pimentel Paulon Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Linguagem, escrita, traço, autoria.

Resumo

O caso Signorelli é narrado por Freud em três episódios distintos (1987[1898], 1987[1901], 1986). Ele é considerado um dos textos mais lidos para a entrada na formação em psicanálise, já que, através dele, Freud nos dá indícios da estruturação do inconsciente e seu modo de funcionamento. O caso, descrito por Freud através de um esquema, elucida mecanismos como os de deslocamento e sublimação além de já dar pistas sobre os desenvolvimentos posteriores realizados por Lacan a fim de compreender o inconsciente por seu principio ético e não ôntico: é por meio do significante que se formalizam os diversos processos de significação e atribuição de sentido. Esses processos de formalização, além disso, obedecem a uma lógica temporal distinta. Podemos evidenciar, através dele, efeitos de subjetivação na linguagem bem como a dissipação destes, já que o caso evidencia a formação do sentido, e, de que modo esse sentido se associa pela linguagem. Há, no entanto, novos desbravamentos a serem realizados via caso Signorelli; dentre eles, a relação entre fala e escrita. Partindo de pressupostos da linguística estrutural e da análise do discurso, irei analisar de que modo podemos entrever, via Signorelli, aspectos do Eu, e assim, do autor (na fala de Freud) e do sujeito dividido (em sua escrita) para repensarmos o lugar da linguagem na psicanálise.

Biografia do Autor

Clarice Pimentel Paulon, Universidade de São Paulo
Psicóloga, mestre em psicologia pela USP-RP, doutoranda do Departamento de Psicologia Clínica do IP-USP. Trabalha na interface entre psicanálise, linguística estrutural e análise do discurso pêcheutiana.

Referências

DERRIDA, Jaques. Limited Incorporation. Northwestern University Press, USA, 1977.

DUNKER, Christian Ingo Lenz. A imagem: entre o olho e o olhar. In. C. I. L. Dunker, Sobre arte e psicanálise. (Vol. 1, pp. 14-29). São Paulo, Ed. Escuta, 2006.

FREUD, Sigmund Sobre o mecanismo psíquico do esquecimento (Primeiras publicações psicanalíticas) In. FREUD, Sigmund. Edição Standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, vol. 3, pp. 275-282) Rio de Janeiro, Imago. (Trabalho original publicado em 1898), 1987.

FREUD, Sigmund O esquecimento de nomes próprios. (Sobre a psicopatologia da vida cotidiana) In. FREUD, Sigmund. Edição Standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, vol. 6, pp. 19-24) (Trabalho original publicado 1901), 1987.

LACAN, Jaques. O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada: Um novo sofisma. In: LACAN, Jaques, Escritos. (pp. 197-213) Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

MAJOR, René. Lacan com Derrida: Análise Desistencial. (trad. Fernanda Abreu), Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, (Trabalho original publicado em 2001), 2002.

MASSON, Jeffrey (Org.). A Correspondência Completa de Sigmund Freud e Wilhelm Fliess: 1887-1904. São Paulo: Ed Imago, 1986.

PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. (E, Orlandi trad.) Campinas: Ed. Pontes. (Trabalho original publicado em 1983), 2008.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso: uma crítica a afirmação do óbvio. (trad.E. Orlandi), Campinas: Editora Unicamp, 2009.

SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Lingüística Geral. (C. Bally e A. Secheray orgs.) Ed. Cultrix, São Paulo, 2006.

TFOUNI, Leda V. A dispersão e a deriva na constituição da autoria e suas implicações para uma teoria do letramento. In: Signorini, I. (org.). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas: Mercado das Letras, pp. 74-91, 2001.

Publicado
2014-10-24
Como Citar
Paulon, C. P. (2014). O AUTOR É UM OUTRO: O EU E O SUJEITO DIVIDIDO NO CASO SIGNORELLI. Revista DisSoL - Discurso, Sociedade E Linguagem, (1). https://doi.org/10.35501/dissol.v0i1.6